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SAMPLE
Noites do Terror do Playcenter
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SUPER: São Paulo, 1996.
Quarto meio escuro e bagunçado. Deitado na cama, ainda de roupa de dormir, HENRIQUE (16) fala ao telefone com alguém.
HENRIQUE
Cala a boca! Você acha que eu vou acreditar nesse seu papinho?
Na cabeceira ao lado da cama, vemos um porta-retrato onde Henrique está no centro, abraçando Gisele(17) e Tatiana(17).
HENRIQUE
Pára de se fazer de santa, sua mentirosa. Eu já tô sabendo de tudo (pausa) Foi, foi ela sim!
Alguém toca a campainha do apartamento insistentemente.
HENRIQUE
(ao telefone)
Vai querer inverter a história agora?
HENRIQUE
Mããããe! A campainha
Volta a ouvir a pessoa do outro lado. Algo que ele ouve do outro lado o desmonta. Os olhos se enchem d'água.
HENRIQUE
(chorando)
Eu fui muito idiota... você não presta.
Campainha continua.
HENRIQUE
Mããããe!
Campainha continua.
HENRIQUE
Tão tocando a campainha (pausa) Tchau... TCHAU!
Henrique sai do quarto em direção à porta de entrada. Um insistente som de miado de gato. Ao passar pela sala, nota o gato da família preso do lado de fora da sacada, a porta-balcão está fechada. Ensaia ir abrir a porta para o gato entrar, mas a campainha toca novamente e ele vai atender.
Olha pela fechadura e seu semblante muda, parece mais sério.
Abre a porta, não vemos a pessoa à sua frente.
HENRIQUE
(hesitante)
Entra.
O gato continua miando.
HENRIQUE
Deixa eu abrir a porta pro gato.
O gato mia sem parar e bate no vidro da porta com a pata. HENRIQUE vai em direção à sacada, abre o vidro, se abaixa para pegar o gato e, ao se levantar, é empurrado para fora da sacada. O gato consegue pular de volta para dentro da sacada.
LADO DE FORA DO PRÉDIO
Na queda, Henrique bate a cabeça na sacada do apartamento logo abaixo. Ainda em queda, se agarra à beirada de concreto da sacada de um apartamento três andares abaixo do seu.
Pela janela do apartamento, vê um HOMEM(31) assistindo a um jogo de futebol com o som alto.
HENRIQUE
Socorro! Socorro! Socorro!
Olha para baixo, apavorado.
HENRIQUE
Socorro, socorro! socorro!
Sangue escorre de sua cabeça. Seu corpo balança no ar. Ele evita olhar para baixo. Os dedos tremem, mas ele se esforça para mantê-los firmes no concreto.
HENRIQUE
Socoooooro! Socooooro.
Na sala, o homem comemora um gol.
BOOM! BOOM! BOOM! Fogos de artifício explodem no céu. Henrique se assusta com o barulho e quase cai.
SENHORA (O.S)
Jesuis amado!
Henrique olha para cima. Um andar acima de onde ele está pendurado, uma VELHINHA(80) vê a cena da janela, apavorada.
HENRIQUE
Pelo amor de Deus me ajuda.
SENHORA
Tá bom, tá bom, mas como? Como? Senhor deus amado.
HENRIQUE
Chama alguém pra me puxar pra dentro da sacada. Liga pro porteiro.. rápido.
SENHORA
Tá, tá.
A senhora desaparece da janela. Henrique se agarra com mais força no concreto. Seus dedos quase escorregando.
POV de Henrique: observa o homem concentrado no jogo e a tv com o som alto, que narra a partida.
As mãos de Henrique tremem e suam. Uma das mãos escorrega, seu corpo balança no ar, mas ele consegue se agarrar novamente.
Ele vê o HOMEM se levantar do sofá e ir abrir a porta. A senhora idosa e o porteiro(45) aparecem na porta.
De longe, Henrique vê o pavor do porteiro e da senhora que mal falam com o HOMEM e já apontam na direção dele.
Como se o tempo corresse mais devagar, vê o porteiro correndo em direção à sacada, tentando chegar até ele.
Henrique ensaia um sorriso de alívio, mas escorrega e cai. Cai dez andares abaixo em cima de um carro que está entrando no prédio. A motorista que está dirigindo o carro dá um grito.